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O tempo do nosso (des)confinamento

Autora: Rita Oliveira Pelica


Enquanto escrevo este texto, penso que a incerteza é uma das poucas certezas que podemos ter hoje. E incerteza combinada com complexidade e imprevisibilidade são os ingredientes que nos vão levar ao limite, enquanto seres humanos, ao nível da inteligência emocional e social. Aguardemos.


Março 2020. O mundo parou. Fomos co(n)vidados a, forçosamente, desacelerar abruptamente. No meu mundo profissional, na área da educação superior e da formação executiva, o trabalho foi praticamente todo cancelado ou, se quisermos pensar numa perspectiva positiva, adiado por tempo incerto. Tecla Pausa.


Fiquei coberta pelas raízes do medo. As sementes que tinham sido lançadas e algumas das colheitas que estavam previstas para breve foram completamente arrasadas. Também do lado dos clientes, o sentimento era de fragilidade e preocupação. Percebemos todos a nossa vulnerabilidade. Inteligência emocional, onde estás?


Foi uma Primavera diferente, que trouxe novas sementes. Com um certo sentido de auto-regeneração e organização, começaram a registar-se mudanças no paradigma do trabalho e no mercado corporativo. A tão anunciada “transformação digital” parecia agora a “tábua de salvação”, apenas com uma nuance: as empresas teriam de perceber rapidamente e fazer um esforço activo para envolver as suas pessoas, trabalhar as suas competências e a sua mentalidade. A tecnologia por si só não iria resolver os problemas: portáteis novos para todos, não basta! É tempo de mudança! Tecla On.


No meu caso, o tema do trabalho remoto não era propriamente novo – até possuía já um escritório em casa. Já tinha abandonado há uns anos o cantinho improvisado na mesa da sala de jantar… Mas a grande novidade residia nos novos ocupantes do escritório: todo o agregado familiar: marido, dois filhos na escola primária e uma gata. Abril, Maio, Junho… A Primavera parecia não ter fim, tal como a tele-escola. Cheguei a sonhar inclusivamente com a ideia do nomadismo digital. Trabalhar a partir de qualquer lugar, desde que o wi-fi o permitisse: #WFA (work from anywhere). Mas ainda estávamos em busca do equilíbrio (integração?) entre a vida pessoal e a vida profissional.


Praticamente todos deveremos ter experienciado a passagem das salas de reunião e de aulas para os ecrãs! Zoom, Microsoft Teams, Google Meets, Mural, Miro, Padlet… #FOMO (fear of missing out). Quem não passou por isto? Aqueles dias em que a agenda estava congestionada com tantas sessões online (o chamado conflito de agenda), pois não podíamos perder pitada no processo de aprendizagem online.


A virtude do virtual. Novos e interessantes projectos nasceram. A necessidade aguça o engenho. Live trainings, aulas síncronas e assíncronas, webinars… Tive direito a um verdadeiro menu de degustação. Aprendi muito à minha custa e com o apoio de outros profissionais que, tal como eu, tiveram de dar asas à sua criatividade e transformar o seu negócio. É incrível o poder que advém de uma boa rede de suporte: informação, recursos e novas parcerias.


Depois da tempestade vem a bonança. Com um sentimento misto de exaustão e consciência, entrei em modo #JOMO (joy of missing out). A alegria de não estar (excessivamente) online e fazer coisas na vida real – apesar de nunca ter chegado a fazer pão, confesso. Reaprendemos a apreciar as coisas boas da vida. Tecla Off. Tempo para um detox digital. Q.B.


Junho 2020. Eis-nos então no Verão do nosso (des)confinamento e (des) contentamento. O fim do ano escolar! Passei de ano com boas notas, obrigada por perguntarem.

Julho 2020. Cumpri o sonho de me tornar nómada digital por uns dias, no centro de Portugal, tanto quanto a qualidade da internet e a largura de banda permitiram. Algumas quebras de rede depois – e com muita prática de técnicas de relaxamento e gestão de stress durante as sessões online – activo o #OOTO (out of the office).


Agosto 2020. Férias. Em Portugal. Busy doing nothing (mais ou menos…).

Setembro 2020. Muitas expectativas com o regresso à escola e aos negócios. Não acredito num novo normal, pois a “normalidade” já não é o que era. Espero que este seja um mês de retoma e de redescobertas. Há que aproveitar os benefícios do digital e abraçar o mundo através da tecnologia e dos ecrãs. Ainda que online. #JOBO (joy of being online).

E chega Outubro… Tecla Play.



Rita Oliveira Pelica é Fundadora da ONYOU de Portugal e Professora Visitante da BAEX.

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